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Real. A cena nasceu de uma única exposição sem seguidor, e a ficha entrega o roteiro inteiro para repetir a noite com um tripé e uma lente larga comum.
O primeiro sinal é o desacordo entre o centro e as bordas. As estrelas do meio do quadro estão redondas e as dos cantos estão em forma de vírgula apontando para fora, exatamente o que uma lente larga aberta no máximo faz com a luz que entra torta.
Montagem em programa costuma errar nessa parte. Céu colado chega com estrela igualmente pontual do centro à borda, ou com o mesmo alongamento em toda a superfície, porque o defeito de vidro depende da posição no círculo de imagem.
O segundo sinal é a coerência entre o tempo declarado e o formato do ponto. Vinte segundos numa lente de vinte e quatro milímetros deixa a estrela quase redonda, com uma leve espessura a mais no sentido do movimento do céu, e é o que a ampliação mostra.
Ficha que declara meio minuto de exposição em teleobjetiva e entrega estrela pontual não fecha conta nenhuma. A conta da regra do 500 vale nos dois sentidos: ela prevê o resultado antes do disparo e denuncia a ficha inventada depois.
O terceiro sinal é a continuidade do granulado. A textura fina que aparece entre as estrelas atravessa o céu inteiro e some progressivamente na barra escura do chão, em vez de mudar de tamanho na fronteira entre céu e copas.
Céu colado deixa uma costura nessa fronteira. O granulado muda de escala, o azul encosta na silhueta sem nenhum vazamento de brilho entre os galhos finos, e a linha das copas fica limpa demais para uma noite de sensibilidade alta.
O registro de revelação digital na ficha não muda a leitura. Ajuste de contraste e de ponto preto aparece em quase todo arquivo de céu noturno, e nenhum ajuste desses inventa vírgula de canto nem espalha granulado coerente.
Detector automático de imagem falsa não resolve o caso. Porcentagem de suspeita não explica por que a estrela do canto superior direito está esticada na diagonal enquanto a do centro está fechada, e a explicação é a única coisa que sustenta a leitura.
1. Escolha uma noite sem lua, ponha a lente mais larga que tiver e abra o diafragma no máximo. Trave a câmera num tripé firme e desligue qualquer estabilizador do corpo ou da lente.
2. Divida 500 pela distância focal da sua lente e arredonde o resultado para baixo. Numa de vinte e quatro milímetros o número é vinte segundos, e é ele que entra no obturador antes de qualquer outro ajuste.
3. Dispare uma vez, amplie a imagem em cem por cento no centro do quadro e olhe o formato da estrela. Ponto redondo confirma o tempo, risco curto pede que você corte o tempo pela metade e suba a sensibilidade no mesmo passo.
A conta cabe na cabeça e resolve a noite, porque a diferença entre um céu de estrelas e um céu de riscos costuma ser um único segundo a mais no obturador.
"Qual foi a última noite em que você tentou fotografar o céu e voltou só com riscos?"
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