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Real. A divisão do quadro nasceu de duas fontes de luz reais acesas ao mesmo tempo na mesma esquina, e a ficha entrega abertura, sensibilidade, balanço de branco forçado e hora local para qualquer pessoa repetir o registro numa avenida com poste antigo.
O primeiro sinal é a saturação que não sobe. Sob sódio, os canais verde e azul chegaram tão vazios que nenhum aumento de saturação puxa cor de volta, e o arquivo responde com granulado colorido em vez de tom, comportamento que um filtro laranja aplicado por cima nunca produz, porque ele deixa os três canais cheios por baixo da camada.
O segundo sinal é a fronteira que respeita a geometria da rua. A linha entre laranja e branco acompanha a quina do prédio e a projeção da vitrine sobre a calçada, com a inclinação que a perspectiva exige, e não corre reta pelo meio do quadro como uma máscara desenhada em programa.
O terceiro sinal está nas duas sombras diferentes. Do lado da vitrine cada objeto tem sombra dupla, uma jogada pelo LED e outra pelo poste, apontando para direções distintas, e montagem de cor aplicada depois herda a sombra única da cena original.
O quarto sinal é a faixa de mistura na costura. Uns trinta centímetros de calçada recebem as duas fontes e devolvem um rosado sujo que nenhuma das duas produz sozinha, uma soma física que exige as duas lâmpadas acesas no mesmo instante.
O quinto sinal é a coerência entre o rosto e o resto do quadro. A pele perde o vermelho exatamente na mesma linha em que a mochila perde o azul e o cimento perde o cinza, tudo governado pela mesma fronteira, enquanto retoque manual quase sempre trata pele com carinho especial e deixa o cimento entregar a diferença.
Imagem gerada por modelo erra de um jeito próprio nessa cena. Ela costuma produzir um laranja bonito e ainda assim manter variação de cor dentro do laranja, com lábio mais vermelho e jeans mais azulado, porque aprendeu a aparência de foto noturna e não a física de um espectro com uma linha só.
Detector automático de imagem falsa não fecharia o caso. Porcentagem de suspeita não explica por que a mochila e o rosto perdem a cor na mesma linha vertical.
1. Quando a rua for de poste laranja, pare de brigar com o balanço de branco e ande até a próxima fonte de espectro largo. Vitrine de conveniência, letreiro de farmácia e porta de padaria acesa são luz branca de graça, e trinta passos resolvem o que nenhum ajuste resolve.
2. Se a pessoa precisar ficar onde está, entregue a foto em preto e branco. Sem cor para reproduzir, o problema deixa de existir, o laranja vira uma escala de cinza limpa e o granulado do canal azul some junto com o canal.
3. Se você tiver qualquer lanterna de celular na mão, acenda e aproxime até um metro do rosto. O LED do telefone tem espectro largo, e um metro de distância já basta para devolver vermelho à pele sem apagar o laranja do fundo, que é justamente o contraste que faz a cena.
A lâmpada de sódio não escurece a cor da pele, ela simplesmente nunca emitiu a cor que a pele precisaria devolver, e nenhum ajuste inventa o que não chegou ao sensor.
"Quantas fotos de rua à noite você culpou a câmera por entregar, quando o que faltava estava dentro da lâmpada do poste?"
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