|
Real. A conclusão sai do próprio quadro e da ficha do arquivo, e a mesma ficha entrega o ajuste que qualquer celular repete hoje à tarde.
O primeiro sinal é o par de brilhos. Os dois olhos carregam o mesmo bloco claro, na mesma altura e do mesmo lado, com o menor deles encolhido na medida em que o rosto virou.
Montagem costuma errar aí. Rosto colado em outro fundo acerta um olho e esquece o outro, ou repete o brilho idêntico nos dois, sem contar o giro da cabeça.
O segundo sinal é a franja de cor na borda do brilho. Verde de um lado, arroxeada do outro, e só onde o claro estourado encosta no escuro do olho.
A franja é defeito de lente clara aberta no máximo. Ela nasce no vidro, e não no arquivo, e efeito aplicado depois não sabe onde colocar a cor.
O terceiro sinal é o desfoque que cresce em degrau contínuo. O olho da frente está nítido, a lâmina embaixo do dedo já está mole, e a persiana do fundo virou massa clara sem desenho.
Lente de 50 milímetros aberta em f/1.4 e a menos de um metro do rosto faz esse degrau. Recorte colado em cima deixa borda dura no lugar da passagem.
A luz no rosto concorda com o brilho no olho. A faixa clara entra pelo mesmo lado da persiana, e a sombra cai no lado oposto, sem nenhuma segunda sombra cruzada.
O que não decide nada é o tom esverdeado da cena. Balanço de branco se empurra depois, num deslizador, e cor fria não prova hora, lugar nem origem de imagem nenhuma.
Detector automático também não decide. Ele devolve porcentagem, e porcentagem não explica a luz que entrava pela fresta naquele apartamento.
1. Sente quem vai posar de lado pra janela, com o rosto a um palmo do vidro, e apague todas as lâmpadas do cômodo. A janela precisa ser a única fonte acesa.
2. Abra a câmera do celular, escolha o modo retrato e toque no olho mais perto da janela. O toque trava o foco e a exposição no lugar que importa.
3. Confira o brilho no olho antes de guardar a foto. Se ele sair pequeno e no alto da íris, a luz vem do teto: apague a lâmpada e aproxime o rosto do vidro.
O ajuste é o mesmo da ficha, em outra linguagem. A câmera chegou com a lente escancarada e um tempo curto de obturador. O celular chega com o modo retrato e o dedo na tela.
Se o rosto sair escuro e a janela estourada, gire a pessoa até a luz bater de lado. Contra a luz, o celular mede o vidro e apaga o rosto.
O brilho no olho é a ficha da fonte: a altura diz onde ela estava, o lado diz de onde vinha, e o tamanho diz a que distância.
"Qual janela da sua casa deixa o rosto a um palmo do vidro na hora do café?"
|