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Nenhuma pessoa apertou o disparador da imagem de abertura: ela foi gerada por um modelo de imagem, a partir de uma descrição escrita pela redação da Fotografia do Dia. A busca pela luz que ela imita, porém, tem um fotógrafo que a levou para o meio da rua.
O americano Irving Penn, nascido em 1917 em Plainfield, Nova Jersey, fotografou moda e retrato para a revista Vogue por mais de seis décadas. Ele preferia a luz do dia filtrada a qualquer flash, e montava os retratos sob uma claraboia voltada para o norte.
A escolha do norte tem razão física. No hemisfério norte, uma janela voltada para o norte nunca recebe o sol direto: só entra a luz do céu, espalhada e constante ao longo do dia. Pintores usavam a mesma orientação nos ateliês séculos antes da fotografia.
Em dezembro de 1948, a Vogue mandou Penn ao Peru. Em Cuzco, ele alugou um estúdio de fotógrafo local e retratou moradores que desciam das montanhas para as festas de fim de ano, sob a luz de uma claraboia, contra um pano de fundo neutro.
Penn levou a ideia adiante nos anos seguintes. Mandou construir um estúdio portátil, uma tenda de lona com teto que filtrava o sol, e carregou a estrutura para Benin, Nepal, Marrocos e Nova Guiné. Dentro da tenda, a luz tinha sempre o mesmo caráter, em qualquer país.
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Penn não esperava a nuvem: ele carregava uma nuvem de lona na bagagem.
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Os retratos dessas viagens saíram em livro em 1974, com o título Worlds in a Small Room (mundos numa sala pequena). As páginas mostram a pessoa isolada do lugar e da hora, com só o rosto e a roupa diante da câmera, sob a luz larga da tenda.
O que a tenda fazia é o que a nuvem fina faz de graça. A lona do teto recebia o sol duro e devolvia uma luz larga e mansa, vinda de cima e de lado. As sombras sob o nariz e o queixo ficavam visíveis, mas abertas, com textura de pele dentro delas.
A diferença está no controle. Penn escolhia a hora, a distância do modelo até a parede e o ângulo do teto. Quem fotografa na rua depende do céu do dia e precisa reconhecer a nuvem certa quando ela aparece.
Penn viveu até 2009, aos 92 anos, em Nova York. Os retratos de Cuzco seguem entre os mais reproduzidos da obra dele, e a tenda virou modelo para fotógrafos de rua que montam fundos portáteis em feiras e festas.
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