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A queda da imagem do topo saiu de um programa, mas o véu de água na fotografia tem um pioneiro de carne e osso: Carleton Watkins, americano nascido em 1829 em Oneonta, no estado de Nova York.
Watkins chegou à Califórnia na corrida do ouro, no começo dos anos 1850, e trabalhou como balconista antes de aprender fotografia num estúdio de San Francisco. Em 1861, subiu ao vale de Yosemite com uma câmera feita sob encomenda para placas de vidro de 18 por 22 polegadas, cerca de 46 por 56 centímetros.
O equipamento subiu em lombo de mula: a câmera, as placas, os frascos de químicos e uma tenda escura para revelar ali mesmo.
O processo era o colódio úmido (uma camada de algodão-pólvora dissolvido, espalhada no vidro e sensibilizada com prata). A placa tinha de ser preparada, exposta e revelada ainda molhada, em poucos minutos, dentro da tenda.
A água que a placa não segurava
A emulsão era lenta. Uma exposição ao ar livre levava segundos, às vezes muitos, e nenhuma água corrente ficava parada durante a espera. As cachoeiras de Watkins saíram sedosas porque a química não permitia outro resultado.
A vista da Yosemite Falls feita por ele em 1861 mostra a queda como uma fita branca contínua descendo o paredão de granito, enquanto as árvores do primeiro plano aparecem duras e cheias de detalhe.
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A primeira cachoeira sedosa famosa nasceu da lentidão da química.
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Dois anos antes da viagem, o médico e escritor americano Oliver Wendell Holmes tinha previsto o alcance dessas placas no ensaio The Stereoscope and the Stereograph (o estereoscópio e o estereograma), publicado na revista The Atlantic Monthly em 1859: “A forma está, daqui em diante, divorciada da matéria.”
As vistas de Watkins circularam pelo Leste do país. Em 1864, o presidente Abraham Lincoln assinou a lei que entregou o vale à Califórnia para uso público, a primeira proteção federal de uma paisagem natural americana. O vale que a lei guardou era o mesmo que as placas tinham mostrado.
A fama não protegeu o negócio. Na crise financeira de 1875, Watkins perdeu o estúdio de San Francisco para os credores, e os negativos de Yosemite foram parar nas mãos de um concorrente.
Watkins voltou ao vale e refotografou as quedas do zero, numa coleção que batizou de New Series (nova série). Em 1906, o terremoto de San Francisco e o incêndio seguinte destruíram o estúdio dele e quase todo o acervo que restava.
Quase cego, passou os últimos anos internado num hospital estadual em Napa, até 1916. As cópias que sobreviveram estão hoje em acervos como o do Museu Getty, em Los Angeles, e o do Metropolitan, em Nova York.
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