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O clique escolhido é a imagem que abre esta edição: uma paisagem de mirante feita na grande angular do celular, com a ponta do dedo virando mancha no canto de baixo. A cena junta o gesto e o defeito num quadro só.
A grande angular (a lente que abarca uma área bem mais larga que a do olho parado) vê o mundo como um leque. A Apple anunciou, em setembro de 2019, no lançamento do iPhone 11, que a câmera ultra-angular do aparelho cobria um campo de visão de 120 graus. Outras marcas seguiram com números parecidos.
Cento e vinte graus é um terço de uma volta inteira. Com o celular na altura do peito, o leque dessa lente alcança quase tudo o que está à frente, dos dois lados, e chega perto do corpo de quem segura. O dedo pousado na quina do aparelho fica dentro desse leque.
A ponta do dedo entra pela borda porque está colada na lente. A poucos milímetros do vidro, ela ocupa uma fatia enorme do ângulo, mesmo sendo pequena. A mesma ponta, a um palmo de distância, caberia num cantinho do quadro.
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A lente larga enxerga os lados que a mão trata como bastidor.
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A mancha cai no canto de baixo por causa da óptica. A lente inverte a imagem no caminho até o sensor (a peça que grava a luz), e o aparelho desvira tudo na hora de mostrar. O dedo que encosta por cima da lente, com o celular deitado, aparece embaixo na foto.
A forma borrada também tem explicação. Toda lente tem uma distância mínima de foco, o ponto mais perto em que ela ainda desenha nitidez. A grande angular do celular foca a poucos centímetros, mas o dedo está a milímetros. O que fica nesse vão sai como sombra macia, sem contorno.
A correção mora na pegada. Segurar o aparelho pela metade de baixo, com os dedos longe da quina das lentes, deixa o canto livre. Com o celular deitado, a mão do lado das câmeras desce para a borda inferior e apoia o aparelho por baixo, como uma bandeja.
A outra mão cuida do disparo. O polegar toca o botão da tela ou aperta o botão de volume, que na maioria dos aparelhos também fotografa. Assim nenhum dedo precisa subir até o topo para firmar a foto.
Em pé, com o celular na vertical, a regra continua valendo. As lentes ficam no alto, e a mão que segura pelo meio ou pela base mantém o indicador abaixo do bloco de câmeras. Quem apoia o dedo atrás, no topo, para não deixar o aparelho cair, deve descer esse apoio dois dedos.
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