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Real. A transparência da lagoa nasceu do polarizador circular girado contra a reflexão, e a ficha entrega inclinação, filtro, abertura e tempo para qualquer pessoa reproduzir a leitura na primeira água parada que encontrar.
O primeiro sinal é a variação contínua ao longo do quadro. A transparência cresce conforme a linha de visada se aproxima dos 53 graus e diminui nos trechos que a lente enxerga em ângulo mais raso, sem nenhum salto entre uma região e outra.
Máscara feita no computador produz outro comportamento. A seleção segue borda de forma ou faixa de luminosidade, e a transição costuma acompanhar o contorno das pedras ou um limiar de brilho, nunca uma faixa horizontal que atravessa a imagem indiferente ao que existe embaixo dela.
O segundo sinal é a vegetação escura da margem. As folhas perderam o brilho branco da reflexão especular na mesma imagem em que a água perdeu o céu, e um polarizador age nas duas superfícies ao mesmo tempo porque as duas devolvem luz polarizada sob sol alto.
Edição seletiva de água raramente escurece a folhagem junto. Quem trabalha uma máscara na superfície da lagoa entrega folha com brilho intacto, e a incoerência entre água tratada e mata brilhante aparece na primeira comparação lado a lado.
O terceiro sinal é a faixa de céu com azul carregado e transição abrupta perto da linha da mata. Um polarizador escurece mais o pedaço do céu que está a noventa graus do sol e menos o resto, e a mudança de tom acompanha a geometria da cena, não a posição do horizonte.
O quarto sinal é o véu intermediário. Existe uma faixa da imagem onde as pedras do fundo aparecem por trás do céu refletido, com as duas informações somadas no mesmo pixel, situação que um recorte de máscara resolve escolhendo uma das duas e uma reflexão parcial resolve sobrepondo.
O quinto sinal é a coerência de cor entre as regiões. A água transparente puxa para o verde acinzentado do sedimento e as pedras mantêm a mesma tonalidade que teriam fora da água, sem o desvio para o ciano que aparece quando alguém força a saturação do azul para abrir o fundo.
Imagem gerada por modelo tropeça em outro ponto. Ela costuma entregar uma superfície inteiramente transparente ou inteiramente refletiva, com fundo desenhado por igual em toda a extensão, sem a faixa de passagem que a inclinação da câmera impõe numa lagoa fotografada de margem baixa.
Detector automático de imagem falsa não resolveria o caso. Porcentagem de suspeita não explica por que a transparência cresce com a inclinação da visada nem por que a folhagem escureceu junto com a água, e essas duas marcas apontam para o filtro e para nenhuma outra causa.
1. Meça o ângulo antes de montar o enquadramento. Um inclinômetro de celular apoiado na traseira da câmera mostra a inclinação, e o alvo é 53 graus da vertical para água doce parada.
2. Gire o polarizador devagar com o olho no visor e pare onde o fundo ficar mais legível. A volta completa passa duas vezes pelo mínimo de reflexão, e o intervalo útil entre corte máximo e corte mínimo cabe em menos de um quarto de giro.
3. Registre o par de arquivos com o filtro nas duas posições extremas. O quadro com a reflexão intacta guarda o céu e a nuvem, o quadro com a reflexão cortada guarda o fundo, e a escolha entre os dois pode esperar a tela grande.
Água parada devolve luz polarizada num plano só a 53 graus da vertical, e nesse ângulo o polarizador troca a chapa de céu pelo fundo inteiro da lagoa, com pedra, areia e folha submersa.
Teste hoje: leve a câmera com polarizador a qualquer água parada, ajuste a inclinação para 53 graus da vertical e gire o filtro devagar até o fundo aparecer. Conte quantas pedras submersas ficam legíveis antes do giro e quantas ficam depois, e anote os dois números lado a lado.
"Quantas lagoas você fotografou com o céu inteiro por cima do fundo, sem nunca ter medido a inclinação da câmera?"
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