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Real. Os dois quadros saíram da mesma câmera, com a mesma lente e o mesmo ajuste, e os campos gravados entregam distância e horário suficientes para qualquer pessoa repetir a dupla no próximo voo com o equipamento que já tem na mochila.
O primeiro sinal mora no arranhão do acrílico. Ele aparece nos dois arquivos com o mesmo risco fino cruzando o canto superior, marca física do vidro que sobrevive ao contato, e aplicativo de remoção de reflexo apaga o arranhão junto com o fantasma por tratar os dois como sujeira.
O segundo sinal é a borda do quadro limpo. O parassol encostado corta um fio escuro de meio milímetro no canto inferior esquerdo, vinheta física de borracha apoiada em superfície irregular, detalhe que limpeza por programa nunca acrescenta porque o programa tira, não põe.
O terceiro sinal é o grão. O ruído de sensor aparece nos dois quadros com a mesma granulação nas sombras do vale, e remoção artificial de reflexo deixa a área tratada mais lisa que o resto da imagem, borrão de textura que nenhum dos dois arquivos apresenta.
O quarto sinal é a nuvem. A crista da serra carrega uma nuvem que mudou de forma entre um disparo e outro, movimento coerente com onze segundos de vento, comportamento que modelo generativo costuma congelar ao copiar a paisagem inteira do primeiro quadro para o segundo.
O quinto sinal é a cor do vale. O acrílico da janela puxa a imagem para o verde em ambos os arquivos, desvio de tonalidade que o contato com o vidro não corrige, e uma versão gerada por modelo devolveria céu neutro por ter aprendido paisagem sem janela na frente.
Imagem gerada por modelo tropeça neste ponto. Ela aprende janela de avião como oval com céu azul dentro, sem o desvio verde do acrílico, sem arranhão persistente e sem a vinheta da borracha apoiada, três marcas que só a cena física produz.
Detector automático de imagem falsa não resolveria o caso. Porcentagem de suspeita não explica por que o encosto da poltrona sumiu enquanto o arranhão do vidro ficou, e essa marca sozinha já separa contato de lente de limpeza feita depois no computador.
1. Escolha uma janela com paisagem clara e apague a luz de leitura do seu assento. Faça o primeiro quadro com a lente a um palmo do vidro, sem tocar, e observe o encosto da poltrona da frente aparecendo sobre a paisagem.
2. Encoste a borda da lente no vidro, com parassol de borracha ou com a mão em concha vedando o vão, e repita o mesmo quadro sem mexer em foco, abertura nem tempo de exposição.
3. Abra a dupla no computador e olhe apenas a área do vale ou da rua. Conte quantos objetos da cabine sobraram em cada quadro, e confira se o arranhão do vidro continua no mesmo lugar nos dois.
Apagar o reflexo de uma janela é menos uma escolha de ajuste e mais uma escolha de distância, porque o mesmo vidro devolve a cabine inteira a dez centímetros e entrega a paisagem sozinha encostado na borracha.
"Quantas fotos de janela você descartou como imagem suja achando que o vidro estava embaçado?"
Teste hoje: faça a mesma foto pela janela da sala com a luz interna acesa, uma a um palmo do vidro e outra com a lente encostada. Conte quantos objetos do cômodo aparecem em cada arquivo, e espere zero no quadro do contato, com a lâmpada do teto sumindo primeiro.
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