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A imagem do topo mostra uma mulher a meio metro de um muro verde, com o sol do fim da tarde batendo no lado oposto do rosto.
Uma parede pintada não brilha sozinha, mas toda superfície iluminada devolve parte da luz que recebe. A tinta fosca espalha essa luz em todas as direções, como um pano de algodão, e a cor da luz devolvida é a cor da tinta.
Para a bochecha, o muro é uma fonte de luz grande e próxima. A força dele sobre a pele depende de quanto do campo de visão daquela bochecha ele ocupa.
A conta do campo de visão
Pense num muro de três metros de largura por dois e meio de altura, com o rosto na altura do meio dele.
A meio metro, o muro cobre cerca de nove décimos de tudo que a bochecha voltada para ele enxerga. Quase toda a luz que chega naquele lado do rosto passou antes pela tinta verde.
A um metro, a parte do muro cai para perto de sete décimos. O céu e o chão começam a entrar pelas bordas e a diluir o verde com luz de outras cores.
A dois metros, o muro ocupa pouco mais de um terço da vista da bochecha. A três, cerca de um quinto. O resto da luz vem do céu, do chão, das paredes vizinhas e do próprio sol rebatido pelo ambiente.
Por que o recuo pesa
Entre meio metro e dois metros, a parte verde da luz cai para menos da metade. Ao mesmo tempo, a parte neutra, que vem do céu e do chão, cresce. As duas mudanças se somam na pele.
O olho humano tolera pouco desvio no tom de pele. Um céu um pouco mais azul ou uma parede um pouco mais amarela passam sem aviso, mas um rosto levemente verde parece doente, porque a pele saudável nunca puxa para o verde.
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O muro só pinta a pele quando enche a vista dela.
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O ajuste que não alcança
O ajuste de branco foi feito para um problema diferente: a sala inteira iluminada por uma lâmpada amarela, ou a rua inteira sob céu nublado azulado. Nesses casos, a foto toda puxa para o mesmo lado, e um empurrão no sentido oposto devolve o branco.
Com o muro, a cor muda dentro do rosto. O lado do muro recebe luz verde, o lado do sol recebe luz quente, e a testa, virada para o céu, recebe luz azulada. Três cores em dez centímetros de pele.
Corrigir uma das zonas estraga as outras duas. O recurso de quem edita é pintar a correção à mão, só na bochecha esverdeada, com pincel de máscara (a ferramenta que aplica um ajuste numa área desenhada com o dedo), e o resultado costuma deixar a pele com aspecto de massa corrida.
O caminho barato acontece na hora do clique: afastar a pessoa do muro, girar o corpo para que o lado do rosto voltado para a parede fique na sombra do próprio ombro, ou pôr entre os dois um rebatedor (a placa branca que devolve luz neutra) para disputar com o verde.
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