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Arthur Fellig, o fotógrafo de jornal conhecido como Weegee, fez fama nos anos 1930 e 1940 com retratos noturnos em que a sombra das pessoas aparece colada nas paredes atrás delas.
Fellig nasceu Usher Fellig em 1899, em Złoczów, cidade da Galícia que pertencia ao Império Austro-Húngaro e hoje se chama Zolochiv, na Ucrânia. A família emigrou para Nova York, e o menino chegou em 1909, quando trocou o primeiro nome para Arthur.
Trabalhou anos no laboratório da agência Acme Newspictures, revelando fotos de outros. Em 1935 saiu por conta própria e começou a vender as imagens de crimes e incêndios para os jornais da cidade.
O rádio da polícia no carro
O apelido vem do tabuleiro Ouija, o jogo de letras que promete adivinhar o futuro. Os colegas diziam que ele chegava às cenas antes da polícia, como se soubesse do crime antes de acontecer.
O segredo era mais simples. A partir de 1938, Fellig ganhou permissão para instalar no carro um rádio sintonizado na frequência da polícia, e dormia de roupa, pronto para sair quando o chamado vinha de madrugada.
No porta-malas, levava um laboratório de revelação. A foto saía do carro já pronta para a redação, ainda na mesma noite.
A luz grudada na câmera
A máquina dele era a Speed Graphic, a câmera de imprensa da época, com negativo de quatro por cinco polegadas e um refletor de flash preso na lateral. A lâmpada de flash queimava uma vez e precisava ser trocada a cada foto.
Esse flash era pequeno, duro e ficava a um palmo da lente. Nas ruas e nas delegacias, os fotografados estavam quase sempre encostados num anteparo qualquer: parede de tijolo, porta de viatura, grade da cela.
Com a parede a poucos centímetros, o flash projetava a sombra da pessoa logo atrás dela, nítida, desenhando chapéu, ombro e mão algemada num contorno preto que acompanhava o corpo.
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Weegee não afastava ninguém da parede: a sombra colada virou a assinatura dele.
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O livro e os últimos anos
Em 1945, Fellig reuniu as fotos no livro Naked City (Cidade Nua). O título foi comprado por Hollywood e virou o filme de mesmo nome dirigido por Jules Dassin, lançado em 1948.
Fellig passou alguns anos em Hollywood, trabalhou como consultor e fez pequenas pontas em filmes, e voltou para Nova York, onde viveu até 1968. O arquivo dele, com negativos e cópias, está no International Center of Photography (Centro Internacional de Fotografia), em Manhattan.
Penn morreu em 2009, em Nova York. O método dele resume a regra pelo avesso: quem quer a pele fiel controla o que está a menos de um metro do rosto, porque é dali que vem a maior parte da luz que o modelo recebe.
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