|
No alto desta edição, a serra aparece nítida ao fundo, vista pela janela do passageiro de um carro numa rodovia, com a cerca do acostamento desfeita em riscos na frente dela.
A foto separa a paisagem em faixas. A cerca, a poucos metros da porta, virou riscos horizontais; a casa de fazenda no meio do pasto saiu quase firme; a serra, quilômetros adiante, guardou o contorno das árvores no topo.
O passo do carro dividido pela distância
O arrasto de cada objeto na foto sai de uma divisão: quanto a câmera andou durante o clique, dividido pela distância até o objeto. O resultado é o ângulo que a imagem do objeto escorrega dentro do quadro.
Com o carro a 80 por hora e o clique em 1/500, a câmera anda 4,4 centímetros. Na lente principal de um celular comum, que abre uns 70 graus, a divisão dá estes números numa foto de 4.000 pixels de largura:
• Poste a 5 metros: uns trinta pixels de arrasto, borrão visível mesmo na tela do aparelho.
• Casa a 50 metros: uns três pixels, que somem quando a foto é vista inteira.
• Serra a 5 quilômetros: menos de um décimo de pixel, nitidez de carro parado.
Dobrar a distância corta o arrasto pela metade. Dobrar a velocidade do carro, ou o tempo do clique, dobra o arrasto.
|
O carro move a câmera inteira. A distância do alvo decide quanto desse movimento aparece na foto.
|
Para onde apontar
Três escolhas pesam mais que qualquer ajuste de tela.
• Mire o que está longe: serra, horizonte, a cidade vista do alto de um viaduto. Abaixo de uns 20 metros, em 1/500, o arrasto já aparece quando a foto é ampliada.
• Aponte em diagonal para a frente, e não a 90 graus da pista. A 45 graus do sentido do carro, a mesma cerca arrasta a metade; a 30 graus, um quarto.
• Prefira a luz forte. Com sol, o celular costuma escolher frações curtas de segundo; no fim de tarde, o clique se alonga para 1/125 e o mesmo poste arrasta quatro vezes mais.
Tremor ou passo do carro
A própria foto mostra qual dos dois estragou o quadro. Se a serra também saiu mole, o culpado é o tremor: a mão ou a vibração do carro giraram o celular, e giro borra perto e longe por igual. Se só a beira da pista arrastou, foi o passo do carro.
Contra o tremor, segure o celular com as duas mãos e os cotovelos colados ao corpo, sem apoiar no vidro nem na porta, por onde a vibração do motor chega à lente. Abaixe o vidro quando der e mantenha o braço dentro do carro.
Segure o disparador para fazer uma rajada e escolha depois o quadro mais firme. E, antes de tudo, só quem vai no banco do passageiro fotografa.
|