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Na foto deste topo, um golden retriever corre pela grama na direção da câmera, de boca aberta e orelhas no ar.
O foco de um celular funciona como uma fita métrica invisível. Ele escolhe uma distância e deixa nítido o que estiver nela, mais uma faixa curta antes e depois, a profundidade de campo (a fatia de espaço que sai firme na foto).
Essa faixa encolhe à medida que o assunto se aproxima da lente. Um cachorro a dez metros cabe folgado nela; o mesmo cachorro a dois metros precisa estar quase no ponto exato.
A conta do meio segundo
Ponha o cachorro a seis metros, num trote de três metros por segundo, vindo reto para a lente. O toque na tela mede seis metros.
Se o clique sai meio segundo depois do toque, o bicho já está a quatro metros e meio. Se sai um segundo depois, o tempo de chamar o nome e apertar o botão, está a três.
O erro pesa mais perto da lente. Sair de seis para quatro e meio consome um quarto do caminho; sair de três para um e meio consome a metade. A faixa nítida encolhe enquanto o erro cresce, e a última foto da sequência, a do focinho quase encostando na câmera, é a mais mole de todas.
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O foco medido no toque envelhece a cada passo do cachorro.
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O gesto que rastreia
O toque curto diz ao celular: mede aqui e espera. O dedo parado sobre o bicho, nos aparelhos que oferecem o recurso, diz outra frase: segue este alvo.
Em celulares Samsung da linha Galaxy, o recurso aparece nas configurações da câmera como foco com rastreamento, e precisa estar ligado para o gesto funcionar. Ligado, o quadrado de foco gruda no cachorro e acompanha o corpo dele pela tela.
No iPhone, o dedo parado aciona a trava AE/AF (trava de exposição e foco), avisada por uma faixa amarela no alto da tela. A medida congela e não sai do lugar, por mais que o cachorro corra.
Para o cachorro correndo no iPhone, o caminho é um toque curto sobre o bicho e o modo Sequência, acionado ao arrastar o botão do obturador para a esquerda. A rajada dispara vários quadros por segundo e aumenta a chance de um deles pegar o focinho dentro da faixa nítida.
Onde o dono se põe
O rastreio trabalha melhor com o cachorro grande no quadro e o fundo liso. Agache na altura do focinho, com o sol nas costas, e chame o bicho de oito a dez metros, para o aparelho agarrar o alvo antes da corrida.
Dispare quando ele estiver a uns quatro metros. Mais perto, o corpo estoura a borda do quadro e o rastreio perde a cabeça de vista.
Com o rastreio ligado, o dedo do clique só escolhe o instante. O aparelho já está focando sozinho, quadro a quadro, e o dono pode olhar para o cachorro, não para o quadrado de foco.
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