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Feito. Nenhuma câmera esteve na rua da imagem de abertura: o quadro foi montado por um programa gerador de imagens, a partir de um pedido em texto da redação, e três detalhes denunciam a origem.
Primeira pista: os discos repetem o tamanho. Numa foto real, as gotas ficam a distâncias variadas da lente, e os discos vão de grandes a minúsculos. Na imagem gerada, quase todos têm o mesmo diâmetro.
Segunda pista: os discos atravessam o poste. Um disco de gota acesa clareia o que está atrás dele, como um vidro fosco. Na imagem, alguns discos passam por cima do poste sem mudar o tom do metal.
Terceira pista: há fios ao fundo. A chuva longe da câmera, sem luz de trás, deveria sumir no escuro. O gerador desenhou riscos finos de água lá atrás, iluminados por uma luz ausente da cena.
O asfalto escuro, por outro lado, está certo. Com flash embutido e chuva perto, a rua perde mesmo o reflexo, como mostra a primeira seção.
Para ver os dois resultados na própria câmera, bastam uma noite de chuva, uma janela ou marquise e um poste aceso do outro lado da rua.
1. Fique protegido da chuva, com a câmera no modo manual e ISO 1600.
2. Ligue o flash, aponte para a rua e fotografe a 1/125 de segundo e f/4.
3. Desligue o flash e mude de lugar até o poste ficar atrás da chuva, de frente para a lente.
4. Fotografe de novo a 1/125 e f/4, com a câmera apoiada no parapeito.
5. Repita a 1/30 e depois a 1/500, sem mexer no resto.
Na foto com flash, as bolas brancas aparecem já na primeira tentativa. Nas fotos contra o poste, o comprimento dos fios muda com a velocidade: longos a 1/30, curtos a 1/125, quase pontos a 1/500.
Se a foto contra o poste sair escura demais, a abertura pode subir para f/2,8. Se o poste estourar e virar mancha, o enquadramento pode deixá-lo logo fora do quadro, iluminando a chuva pela borda.
O fundo escuro é parte do método. Sem ele, o brilho de cada gota se perde contra um céu claro ou uma fachada iluminada.
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Atrás da chuva, a luz desenha a água; na frente dela, só desenha bolas.
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Teste hoje, se chover: faça as duas fotos a 1/125, uma com flash e outra contra o poste, e conte as bolas brancas da primeira e os fios da segunda; espere dezenas de bolas e nenhum fio na primeira, e o contrário na segunda.
Fica a pergunta · até amanhã Quantas horas Alfred Stieglitz esperou na nevasca de 1893 até a carruagem passar no ponto certo da Quinta Avenida? |
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