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15 pessoas na foto de grupo pedem 5 cliques
Divida o grupo por 3 com boa luz e por 2 com luz fraca: a regra do piscar de Nic Svenson e Piers Barnes
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Grupo de 15, todos de olhos abertos
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Em toda foto de grupo, alguém pisca. Em 2006, dois pesquisadores australianos transformaram essa lei de festa de família numa conta de dividir, e a conta cabe na palma da mão.
Nic Svenson, divulgadora de ciência da CSIRO (a agência nacional de pesquisa da Austrália), estava cansada de fotos de equipe com um colega de olho fechado. Ela levou o problema ao físico Piers Barnes, da mesma instituição, e os dois montaram um cálculo de probabilidade para responder a uma pergunta simples: quantas fotos é preciso tirar para ter uma em que todos estejam de olhos abertos?
O ponto de partida é o próprio piscar. Cada pessoa fecha os olhos várias vezes por minuto, e cada fechamento dura uma fração de segundo. Sozinha, a chance de alguém ser pego no meio de uma piscada é pequena.
O problema cresce com o grupo. Cada rosto novo na fileira soma uma chance a mais de estragar o quadro, e as chances se multiplicam. Com 5 pessoas, quase toda foto sai limpa. Com 15, a foto limpa vira minoria. Com 30, ela fica rara.
A luz entra na conta pelo tempo de exposição, o intervalo em que o sensor fica captando a cena. Com sol, esse intervalo é curtíssimo e a piscada precisa coincidir com ele. Com luz fraca, a câmera deixa o sensor aberto por mais tempo, e uma piscada que começa ou termina dentro desse intervalo já aparece na imagem.
Svenson e Barnes chegaram a uma regra de bolso. Com boa luz, divida o número de pessoas por 3: esse é o número de cliques para ter uma boa chance de uma foto sem olho fechado. Com luz fraca, divida por 2.
Um grupo de 15 pessoas, portanto, pede 5 cliques ao ar livre e 8 dentro de um salão de festa. A regra vale para grupos de até uns 20 rostos, segundo os próprios autores; acima disso, a conta cresce rápido demais para caber numa divisão.
A imagem que abre esta edição mostra um grupo desse tamanho, e a faixa seguinte conta quantas vezes o disparador teria que ser apertado para ela existir.
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I O Clique de Hoje
Quinze pares de olhos abertos
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O clique escolhido é a imagem que abre esta edição: quinze adultos em duas fileiras, diante de uma parede de tijolos, no fim da tarde, todos de olhos abertos e voltados para a lente. A luz vem de lado, dourada e suave.
Pela regra de Svenson e Barnes, a cena pede 5 cliques. A luz é boa, então o grupo de 15 se divide por 3. Um fotógrafo que apertasse o disparador uma vez só teria mais chance de sair com um olho fechado na fileira do que com a foto limpa.
A cena ajuda a regra em dois pontos. O primeiro é a luz lateral de fim de tarde, forte o bastante para a câmera usar um tempo de exposição curto. O segundo é o enquadramento frontal: com todos olhando para a lente, uma pálpebra baixa aparece na hora, sem sombra para esconder.
A mesma foto, tirada meia hora depois, mudaria de categoria. Com o sol abaixo dos prédios, a luz cai, a câmera alonga a exposição e a divisão passa a ser por 2. O grupo de 15 passaria a pedir 8 cliques.
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Cada rosto a mais na fileira é mais uma chance de piscar. A conta pesa o grupo, não o fotógrafo.
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A posição das pessoas também conta. Quem está na fileira de trás costuma ficar parcialmente coberto, e uma piscada ali passa despercebida na tela pequena. Na primeira fileira, com o rosto inteiro à mostra, qualquer pálpebra fechada vira o centro da foto.
O modo sequência resolve o volume de cliques. Segurar o disparador em quase todo celular dispara uma rajada de fotos por segundo, e 5 ou 8 cliques cabem em poucos segundos. O grupo nem percebe que posou várias vezes.
A rajada tem um efeito lateral útil. Piscadas vêm em ritmos diferentes para cada pessoa, e fotos separadas por fração de segundo pegam momentos diferentes de cada rosto. Numa rajada de 8, a chance de achar um quadro com todos de olhos abertos fica alta.
Escolher o quadro certo é o último passo. Ampliar a foto na tela e percorrer rosto por rosto, fileira por fileira, leva menos de um minuto, e evita descobrir o olho fechado só depois de a foto já ter sido enviada para o grupo da família.
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II Quem Apertou
A divulgadora e o físico
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Nenhuma pessoa apertou o disparador da imagem de abertura: ela foi gerada por um modelo de imagem, a partir de uma descrição escrita pela redação da Fotografia do Dia, para mostrar um grupo de 15 pessoas com todos os olhos abertos. A conta que a imagem ilustra, porém, tem autores com nome.
Nic Svenson trabalhava com divulgação científica na CSIRO e fotografava com frequência grupos de pesquisadores. O incômodo dela era prático: foto de equipe quase sempre voltava com alguém piscando, e ninguém sabia dizer quantos cliques bastavam.
Piers Barnes, físico da mesma instituição, traduziu o incômodo em probabilidade. O raciocínio parte de duas medidas de cada pessoa: quantas vezes ela pisca por minuto e quanto tempo cada piscada dura. Com esses números e o tempo de exposição da câmera, dá para calcular a chance de uma pessoa sair de olho fechado numa foto.
Para o grupo, a conta multiplica. A foto só sai limpa se cada pessoa, uma por uma, estiver de olhos abertos. A chance de todos acertarem juntos cai a cada rosto adicionado, e o número de cliques precisa subir para compensar.
A fórmula completa não é prática para quem está com o celular na mão diante de uma mesa de aniversário. Por esse motivo, os dois simplificaram o resultado nas divisões por 3 e por 2, que funcionam bem na faixa de grupos mais comum, até uns 20 rostos.
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A regra de bolso troca a fórmula por uma divisão que qualquer um faz de cabeça.
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O estudo circulou em 2006 na imprensa, com destaque na revista britânica New Scientist, e ganhou fama pelo tema leve. Os autores também apontaram o limite da regra: acima de uns 50 rostos, a chance de uma foto sem nenhum olho fechado fica tão baixa que nenhuma quantidade razoável de cliques resolve com boa luz.
Nesses grupos grandes, o fotógrafo de evento tem outro recurso: fotografar em rajada e montar a foto final juntando rostos de quadros diferentes no computador. O resultado mostra todos de olhos abertos, mas deixa de ser um único instante.
Os dois não publicaram a conta num periódico científico com revisão de outros pesquisadores. O cálculo nasceu como curiosidade interna da CSIRO e se espalhou pela imprensa, e a regra de bolso ficou mais conhecida do que o nome de quem a fez.
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